//Mulheres na Gestão: entrevista com a palestrante Alessandra Decicino

Mulheres na Gestão: entrevista com a palestrante Alessandra Decicino

Evento apoiado pela Seedz, o Mulheres na Gestão acontecerá no dia 11 de abril, das 19h às 22h, no CREA de São Carlos (SP). A primeira palestra da noite será da engenheira agrônoma Alessandra Decicino, que falará sobre a presença feminina na gestão das empresas rurais. Profissional com mais de 10 anos de experiência na área comercial de multinacionais, Alessandra conversou com a Seedz para falar um pouco mais sobre o tema.

Confira abaixo a entrevista completa:

– Quais temas serão abordados durante o evento?

“O tema da palestra é Mulheres na Gestão da Empresa Rural, vou apresentar sobre o contexto atual e perfil das mulheres que estão na gestão do agro, a evolução deste cenário, minha trajetória como profissional nestes 15 anos vivendo diretamente com o mundo agro, conquistas e desafios”.

– Você considera o Agro um ambiente predominantemente masculino? Se sim, o que podemos fazer para tornar este ambiente mais democrático, incluindo mais mulheres?

“Sim, tradicionalmente é um mercado masculino, por diversas características históricas, como por ex. a “necessidade” de força física, o que já não é mais uma prerrogativa. Essa realidade tem mudado nos últimos anos, onde a mulher tem evoluído nas suas competências, desenvolvido talentos nas áreas técnicas, gestão, comercial, pesquisa, docência, desenvolvimento de mercado, consultorias dentre outros, apresentando às empresas excelentes resultados. As diversas competências femininas, tem acrescentado positivamente às formações técnicas. Temos facilidade em perceber gaps, buscar negócios, usar a criatividade para solucionar problemas que não são vistos ou valorizados, mas que faz perder dinheiro, rentabilidade, nas operações e corporações. As mulheres têm uma vantagem competitiva em relação a isso. São mais detalhistas e com uma visão mais holística.  Uma das barreiras que ainda existem, por exemplo, é a não contratação de mulheres pela possibilidade de ficarem grávidas ou que já são mães, ainda são realidades no nosso mercado e meio, infelizmente. Na minha opinião a democratização e flexibilização são fatores importantes, possibilitando as mulheres a exercer suas competências, independente do gênero, pois o mercado busca eficiência, comprometimento e resultados. Também acho importante as mulheres planejarem suas carreiras, e equilibrar seus sonhos profissionais e pessoais”.

– Há ainda preconceito dos homens, em especial quando se trata de mulheres em cargos de gestão?

“Sim, como em diversos outros mercados, não exclusivos do Agro. Mas falando do nosso setor, o índice de mulheres na gestão ainda é muito pequeno! Nem todas tem o perfil ou buscam os cargos de gestão, um grande número de mulheres quer somente a oportunidade de trabalhar, exercer sua profissão, conciliando com suas escolhas e vida pessoal, como maternidade. Estamos com crescente aumento na participação feminina no agro, isso é uma conquista das mulheres! No geral há um movimento, uma organização maior em grupos femininos com objetivos comum, assim como em empresas do agronegócio, propriedades rurais, instituições, órgãos de classe, dentre outros”.

– Na sua experiência como Engenheira Agrônoma, como a mulher pode fazer o agronegócio brasileiro melhor? Há interseções entre essa contribuição e os principais obstáculos do setor hoje?

“Na minha trajetória profissional, iniciei como uma das pioneiras na área técnica e comercial como agrônoma na região de Balsas/MA, em 2004. Todo empenho e dedicação foi para meu desenvolvimento como profissional, buscando incrementar tecnologias e conhecimento técnico nos posicionamento a campo junto aos produtores, levando credibilidade. Com isso atingi metas individuais e de equipes, construi um legado da minha carreira, como uma profissional de referência, o que me gratifica. Acredito que as equipes e empresas que passei, deixei uma referência, um legado profissional de comprometimento e dedicação. Nesse período enfrentei muitas dificuldades na região, devido a região de fronteira agrícola, com desafios de falta de infraestrutura, estradas bem ruins (o que não atrai mulheres, devido ao próprio risco da atividade). Hoje a situação está um pouco melhor, rs, ainda bem. Acredito que a mulher possa fazer o agronegócio melhor, trazendo para a realidade e atuação profissional, sua dedicação, comprometimento, talento no relacionamento interpessoal, busca constante no desenvolvimento técnico. Posicionar isto no campo e nas suas atividades profissionais, sororidade com outras profissionais para fortalecimento uma das outras, com isso os obstáculos que existem, serão mais facilmente superados”.

– Poderia enviar uma mensagem para as mulheres que participam do programa Seedz, convidando-as a participar do evento?

“Claro! Convido a todas mulheres participantes do programa Seedz para estar presentes no evento! A participação de todas vocês, é fundamental e muito importante no nosso evento, neste contexto do agro. A organização pelo site Mulheres em Campo, está incrível, com apoio da Seedz. Será um momento de trocas de experiências, mostrando uma visão e experiência de mercado com o intuito de agregar na nossa vida diária. Vai ser um prazer estarmos juntas! Até em breve!”.

A Seedz apoia o Mulheres na Gestão e é patrocinadora oficial do evento.

Clique AQUI para mais informações sobre o “Mulheres na Gestão”.